Tenho recebido perguntas bem interessantes nos comentários e que acho que valem um post pra gente poder discutir mais sobre o assunto.
Hoje recebi uma pergunta da Monica num post do ano passado em que falo do excesso de exposição de algumas tendências e que isso acaba me deixando sem vontade de consumir nada.
Voltando à pergunta, a Monica me enviou um link do Fashionista com um texto que aborda o mesmo tema, e ela gostaria de saber o que acho disso tudo. Então vamos lá:
Eu tenho visto cada vez mais gente fugindo de qualquer coisa “it”, descobrindo o vintage ou simplesmente preferindo comprar coisas simples e clássicas e quase impossiveis de identificar. Tenho tido conversas com pessoas da moda que acham que essa velocidade é insustentável, tanto do ponto de vista de consumo, quanto do ponto de vista das metas de lucro das empresas. É um pouco romântico achar que a multiplicação de peças “it” e da sua exposição tem a ver só com a vontade das consumidoras. Isso tudo tem um enorme planejamento das empresas que hoje são donas das marcas para que o consumo seja cada vez mais efêmero e beire a histería. Caso contrário não vão atingir as metas, muitas vezes impossíveis, de lucros. A loucura é tanta que as grandes marcas nas últimas estações começaram a emular o fast fashion, deixando as coleções com uma “vida útil” ainda mais curta. Cabe a nós pensarmos bem antes de entrar nessa roda viva e estarmos bem conscientes quando escolhermos uma peça desse tipo. Porque tudo bem ter uma peça que a gente quer muito, mas vai querer botar fogo nela em três meses. O que não pode acontecer é se deixar levar no turbilhão. Acho que estamos começando a entrar num ciclo novo da moda. Está bem no começo ainda, mas tenho muita curiosidade em saber no que vai dar.
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17 Comentários

  1. Lidia Halliday

    Por isso, e muitas outras coisas, você é minha musa-mor. Musa na beleza, na moda, no jeitinho e na cabeça-aberta e pensante. A última característica é bem difícil de encontrar nesse meio. Você me dá orgulho de ser humana, mulher e de gostar de beleza. Sim, porque muitas vezes senti vergonha de ter dezenas de pinceis, lápis e batons (mas que uso TODOS com muito carinho). Você mostra que não precisamos nos abdicar da “vaidade” pra ter consciência de consumo.
    Um beijo de uma grande fã! <3

  2. Fê R. de Souza

    Queria poder dar mil likes para esse texto da ruiva. É simplesmente impossível para nós, pessoas do mundo real, acompanharmos todo e qualquer novo item de moda. Não dá. Além disso, acho que tentar acompanhar tudo é um pouco falta de personalidade própria, pois o legal mesmo é vestir o que é “it”, mas mantendo nossa linha de gosto e estilo, o que consequentemente limita a busca. E dá pra fazer isso gnt! Ngm precisa ser um outdoor ambulante, cheio de informação. Amo novidade, amo moda, mas amo o bom senso tb! Tks ruiva!

  3. Anna Karine

    É exatamente disso que minha monografia trata. Me formo agora em Design de Moda pela UFC eestou desenvolvendo uma marca com estilo retrô romântico, totalmente trabalhada no slow fashion. É burrice estimular o consumo desenfreado, onde as peças se desvalorizam rapidamente, a marca perde em conceito de estilo, e o meio ambiente padece com os processos de produção e descarte. Eu defendo uma moda inteligente, única e duradoura <3

  4. Eu não ligo para tendência, uso o que gosto e o que fica bem em mim. A vantagem de algo de que gosto estar na moda é que encontro mais opções para comprar, como foi o caso da volta das sapatilhas, que sempre usei, mas encontrava poucos modelos. Mas jamais vou usar algo de que não gosto só porque está na moda. Nem vou deixar de usar algo porque saiu de moda. Para mim, usar o que todo mundo está usando é a mais pura tradução de falta de estilo.

  5. omg, eu também to fazendo meu TCC em slow fashion mas focado no atemporal e nos básicos de um guarda roupa, mas com uma estética mais minimalista! Eu vi esse texto do fashionista ontem e é muito bom, vale a pena ler na íntegra!

    • Anna Karine

      Né? Slow fashion é o futuro, minha gente 😀

  6. Camena Guerra

    Consumo por consumo e a ideia de que ter estilo é acompanhar as tendências do mercado da moda. É isso que a indústria quer passar para os consumidores, mas o pior é que grande parte entendeu que isso é verdade. É engraçado ver que sempre que uma peça mais “diferente” vira tendência as pessoas parecem perdoar quem usa porque “tá na moda”, só que 3 meses depois essa mesma pessoa é criticada se continua usando porque “já passou”.
    Muitas coisas me incomodam nesse mundo fast fashion, e o que mais me deixa p%$* da vida é o preço x qualidade. Pagar caro por uma roupa que não vai durar, por questão de qualidade mesmo, costura mal feita, tecido de qualidade baixa, estamparia ruim, bordado mal feito, não faz sentido e é desrespeito com o consumidor.
    Ninguém precisa mudar o guarda-roupa a cada coleção.
    Julia, você inspira

  7. julia um das melhores mulheres do mundo. Graças a Deus não sou escrava da moda, se caso eu fosse uma mulher com uma situação financeira melhor até que compraria a roupa em asceção. Mas como não ta facil a situaçao, passo dois á tres anos com uma duas, três, quatro ou cinco, espera é muita calças Estou tipo chupando gele porque picolé esta caro.Verdade verdadeira

  8. Oi, Julia. Fui eu q mandei o link:)Resolvi fazer isso, pq sabia que vc teria, como sempre, algo sábio a dizer de modo bastante direto e, ao mesmo tempo, com tanta empatia. Admiro seu posicionamento nesse contexto da moda:) Parabéns pela coerência. Venho acompanhando seus posts nesse tema ‘consumismo’ desde SHEEPLE, e já até fiz um trabalho sobre isso no doutorado que faço em estudos da linguagem. Vc já ouviu falar em Análise Crítica do Discurso? Esses seus textos são ótimos dados;)
    Enfim, obrigada por compartilhar um posicionamento tão coerente e convincente! bjs

    • Demais você gostar dos textos ainda mais em se tratando de ACD. Fico muito feliz. Muito obrigada por me mandar o link. Não me canso jamais de analisar consumo, consumismo e comportamento de grupo. Poderia ficar dias falando sobre isso. 😀
      Bjsss!!!

  9. Talvez isso explique a dificuldade, já há alguns anos, que tenho de comprar roupas, especialmente aqui no Brasil.
    Mas acredito que tem um movimento que tá vindo forte aí, contrário a tudo isso. Tomara!!!!!

  10. Foi a Julia mesmo que escreveu esse texto?
    Ela escreve tão bem! o que aconteceu?
    Vcs podem até me chamar de chata, mas sabe? É uma questão de responsabilidade evitar falhas e cuidar para que o português esteja, no mínimo, correto.
    Por aqui é comum eu desistir de ler um texto de tão mal escrito que está! A nossa língua já está tão mal tratada… É papel de quem publica zelar por ela, não é? Por isso as redações tem revisores!
    beijos!

  11. Julia, fico tão feliz de ler isso! Você é uma formadora de opinião e faz isso com tanto cuidado e bom senso que me encanta!
    Parabéns pela sensatez e pelo respeito que você tem pelas pessoas que te acompanham aqui no site!!

  12. Comentei no ultimo post de tutorial que amava o site justamente por conta desse tipo de post…e aí você vem e me escreve um texto lindo desse? Muuuuuito amor por pessoas assim!! Bjs

  13. sabrina aimee

    Sempre me interessei por essa parte de comportamento do consumidor… Teorias de consumo e de vendas, acredito que estamos indo em direção a um tempo onde não existirá tendência… Essa rotatividade toda, nessa rapidez cada vez maior incentivada pelo consumo, vai acabar gerando uma salada, uma mistura, onde tudo pode..

  14. Eu tento muito pensar nessa questão do que é durável na hora de comprar roupa! Amo moda mas sei que temos que nos conter, principalmente porque trabalho com consultoria de imagem e é isso que pregamos para o cliente. Mas às vezes eu paro e tento pensar: “será que gosto de tal peça, tal moda ou não?” Com tanta informação sendo jogada em cima de nós tem hora que é difícil nos desvencilharmos disso e acabamos nos confundindo com o coletivo não é? Sem perceber somos incoscientemente levados a achar que gostamos ou queremos alguma coisa. Muito importante sempre levantar essa questão pra nos lembrar de que a reflexão sobre nós mesmos é fundamental para sermos indivíduos e não grupos.