Vou contar uma história pra vocês. Nesses tempos de meu sumiço do YouTube tenho pensado muito no destino dos veículos de comunicação digital. Pode parecer um assunto meio chato, mas diz respeito a todos nós leitores e tenho certeza que vão achar interessante.
Vamos lá.
Lá no começo da internet dos sites e dos portais, foram criados formatos de publicidade que pareciam pequenos anúncios classificados ou formas reduzidas dos anúncios que vemos em revistas. O tempo passou e incluiu-se nisso som e video e os formatos foram ficando mais caóticos e intrusivos. Quem aí não se irrita com publicidade tão chata em todos os lugares? Hoje esse tipo de anúncio se chama mídia programática. Eles são distribuídos por redes que disponibilizam essa publicidade em sites, blogs, portais e afins. Os sites recebem por estes anúncios poucos centavos para cada vez que o anúncio aparece na tela de um leitor ou então quando recebe um clique (na maioria das vezes acidental). Agora notem o que acabei de dizer. Os anúncios são pagos por exibição. E para que dêem um mínimo de lucro eles precisam de muita exibição. Daí cabe aos veículos publicar conteúdo que gere cliques para que esses anúncios sejam exibidos. Estão acompanhando? O que aconteceu nessas décadas de internet é que a maioria do conteúdo digital é construído pra dar cliques e impressões (é assim  que chamamos as exibições) dos anúncios – que na maioria das vezes a gente nem olha. Some-se a isso a rápida adoção das redes sociais como principal fonte de informação escolhida pelos leitores e você vai ter títulos super chamativos, implorando por um clique, que vão levar a um link, com um anúncio barato, que precisa aparecer. Alguns veículos, tipo o Petiscos, não usam esse tipo de anúncios. Nós aqui achamos o formato ruim e incômodo.
Mas antes de continuar queria voltar lá no começo da internet.
Quando ela começou grandes empresas se dedicaram a fazer dela um território livre e de conteúdo grátis. Daí o modelo totalmente baseado em publicidade. Muitos pensadores da era digital pensam que esse foi um erro grave. Vocês já repararam como isso mudou completamente a maneira das pessoas consumirem informação e cultura? O milagre do lanche grátis da internet criou uma massa de consumidores que não queria mais pagar por informação, música, cinema, televisão, livros e por aí vai. Se tudo na internet é grátis por que pagar por qualquer coisa? Isso ajudou a baratear a cultura? Não. Os shows e filmes nunca foram tão caros porque de alguma maneira o prejuízo do download grátis precisa ser compensado (segundo o mercado de entretenimento). Eu sempre acreditei – e sigo acreditando – em oferecer informação gratuita.
Daí voltamos pra hoje.
A grande maioria da informação a nossa disposição precisa do impulso de conteúdo lixo para se pagar. E quem não quer produzir lixo pra manter o resto fica num limbo de modelo de negócio. Daí vocês podem me perguntar: mas e a produção de conteúdo para clientes não sustenta? Não mais. O problema é que o mercado publicitário não parece acreditar em veículos ou informação. Ao contrário do que acontece com TV, jornais e revistas onde o cliente escolhe exatamente onde e quando quer seu anuncio, na mídia digital o mercado publicitário acredita em espalhar grande quantidade de publicidade – sem saber direito onde ela está indo parar – e faturar rápido com isso. Diminuir custos e gerar mais lucro. Já criar conteúdo de qualidade dá trabalho e precisa de cuidado e pesquisa para ser feito.
Mas o que anda funcionando ultimamente?
A publicidade descobriu os “influenciadores” como a nova mídia. O que é ótimo para quem trabalha neste segmento. Influenciadores são práticos para o mercado porque dá pra contratar um montão deles e repetir centenas de vezes a mesma mensagem nas redes sociais e ter um resultado com milhares likes e comentários. E tem de todo tamanho, dos bem pequenos até os com milhões de seguidores. E daí todo lugar que a gente entra tem uma publicidade pulando na nossa cara, sinalizada ou não. Entendem minha crise? Como leitora estou exausta de tanto jabá e publicidade na minha cara. Como parte envolvida em #publis quanto mais a publicidade nas redes me incomoda, menos quero participar dela.
Mas como seguir trabalhando pensando assim?
Tento sempre lembrar que mercado digital está sempre mudando, com muita rapidez e essa velocidade só vai aumentar. Isso tudo que expliquei tende a mudar porque já está totalmente esgotado. Não resolve, mas passar informação ainda segue sendo o motivo pelo qual estou aqui. Porém, a conferir onde tudo isso irá parar. ?
Foto: Commons.

38 Comentários

  1. Julia, saudades de vc e dos seus vídeos, mas as vezes é preciso ficar mais quietinha para tentar entender a vida!Sobre o assunto há muito uso add block porque não aguento tanto anúncio que não me interessa. Outro abuso é qdo saio abrindo os blogs que leio ou canais de youtube que assisto e na mesma semana as vezes no mesmo dia estão falando do mesmo produto (mesmo que esteja explicito que é publicidade) me dá um abuso ,principalmente pq a maioria das vezes o produto acabou de ser lançado como é que já tem pessoas achando o máximo ?! Mas, vamos vê no que vai dar. Bjs e se cuide.

  2. Júlia, entendo sua posição em não deixar o conteúdo raso e faturar em publi custe o que custar, pondo em risco a qualidade de seu trabalho.
    Sei que foi criada vendo o teu pai e os sócios dele fazendo um trabalho lindo em publicidade, sempre respeitando o público consumidor. Com muita integridade.
    Fico feliz que você respeite muito quem te acompanha e escolhe teus anúncios de forma que não agrida e nem engane.
    Parabéns pelo teu trabalho e espero que encontre uma maneira de te expressar que a deixe realizada e feliz.

  3. Amanda Grando Alves

    Adoro essas reflexões de vocês. Eu estou exausta de tanta propaganda em todos os lugares, é um saco! Na verdade, acho que estou exausta do que a internet está virou/ está virando em um modo geral… tá complicado.

  4. Júlia, era leitora assídua do seu blog e assistia muito seus tutoriais no youtub. Hoje, devido mudança na minha rotina de vida (filhos gêmeos e trabalho), tenho acessado muito pouco. Sei que seu blog/site tem conteúdo e é extenso.Tudo que você escreveu é real. Mas sinto muito sua falta no instagram, sou sua seguidora lá, mas quase vc não aparece por lá. Então eu pergunto, será que não dá para você manter seu posicionamento da mesma forma que passa informação no site sendo no instagram? (sei que aqui os conteúdos tem que ser bem menores, curtos… mas será que não dá para adequar e levar para lá também?)

    • Sempre tive muita dificuldade em produzir para o Insta. Não sou uma pessoa muito fotográfica, não gosto de mostrar minha intimidade e isso parece piorar a cada dia. Acabei deixando para colocar lá o que tem mais a ver com o que eu produzo em video. Daí a diminuição do video reduziu o Insta também. Além disso, meu foco sempre foi a informação que produzimos aqui no site, já que o Insta é do tipo de rede “sem saída” que não leva ninguém a lugar nenhum exceto o próprio ambiente. Enfim, a minha prioridade sempre vai ser o site mesmo. Mas por outro lado sempre coloco uma ou outra coisinha mais divertida e rápida no Stories. 😉

  5. Juliana Dias da Rosa

    Odeio qnd leio comentarios do tp: “Julia, vc não tem consideração com seus leitores/expectadores, não fez video essa semana”. Sério! Entendo seu tempo e aprecio que não é quantidade de informação que mostra a sua profissionalismo. Continue trabalhando de maneira autêntica, como vc bem sabe ser.

  6. Elton Azevedo

    Júlia concordo em gênero, número e grau com você! Mas eu acho que o buraco acaba sendo um pouco mais embaixo!Entendo que a forma como a publicidade está sendo “comercializada” já está saturada, mas eu acredito que isso é um espelho dos consumidores de informação.
    Como você mesma já disse não gostar de facebook por exemplo, que prendem os usuários em sua “bolha de informação”, os consumidores de informação estão assim, presos à sua própria bolha. Como hoje, teoricamente, as pessoas não precisam mais ir atras de informação (buscar informação bem fundamentada), a publicidade também deixou de ser consumida, o que fez com que também essa forma de levar os produtos aos clientes mudasse, ou seja, “esfregar na cara dos outros” aquilo que se deseja vender.
    Por isso repito: acredito que a forma de criação de conteúdo, seja publicidade ou qualquer outro assunto, só mudará quando o consumidor dessa informação mudar!

  7. Julia eu amo o seu trabalho, o petiscos, você na TV, eu nunca perdia um base aliada e sim, sinto muito a sua falta no YouTube porque além de você fazer maquiagens incríveis que nunca conseguir reproduzir,você é única,ímpar,não fica fazendo o mesmo tipo de vídeo que todas fazem … E hoje me trouxe a uma reflexão sobre um assunto que nunca gostei, que até deixo de ver e curtir várias pessoas por isso, apesar de entender que ela está faturando com aquilo. Mas é algo que cansa, que até me faz perder certa credibilidade em várias situações.

  8. julia amor abraços e beijos de feliz aniversário! um mundo de coisas boas pra vc! musa

  9. Feliz aniversário querida Julia.
    Comemore muito com as pessoas e os bichinhos que você mais ama.
    Seja muito feliz.
    Beijos

  10. Julia, não sabia de seu niver. Feliz aniversário! Espero que vc tenha muita iluminação e alegrias.
    Outra coisa boa, que queria compartilhar (mar por favor, não ache invasivo. Só acho seu pai um gênio): achei um vídeo antigo no You Tube com uma fala do seu pai sobre a criatividade. A usei essa semana em aula e os meus alunos AMARAM! (https://www.youtube.com/watch?v=E2cJea_mw8M)
    (Ah, amei o post. Não gostei do tom agressivo do primeiro comentário. Na minha opinião, vc fez a versão escrita de vídeos que vc já fez falando a respeito).

  11. Wanessa Botelho

    Julia, concordo com sua reflexao, infelizmente as pessoas com poder de decisao nao Querem ter o trabalho de planejar e compor algo com qualidade!
    Nao eh no em piblicidade que temos esse cenario! E com a crise do país isso tem ficado pior! Adoro seus posts, sempre acompanho o canal!

  12. A pior parte desse ambiente é o conteúdo raso, jogado. Tenho visto cada vez mais, até em jornais, inclusive, uma notinha mal escrita sobre determinado assunto e recheado de publicidade. Realmente um saco! O Petiscos é ímpar, sempre com conteúdo interessante elencando discussões muito pertinentes! <3
    Júlia, parabéns! Desejo de coração que esse novo ano que se inicia pra você seja esclarecedor e muito muito feliz! Que sua luz continue brilhando, pois semana a semana reflete em nós que somos leitores também!
    Comemore pertinho dos que te amam…
    Bju grande!

  13. Julia, volte logooo!
    Tá um saco mesmo!! Não há mais conteúdo na internet que não tenha um interesse, patrocínio, ou manipulação de mercado por trás. Todo texto, matéria que eu leio é tendenciosa, quase consigo palpar a fabricação (vazia) do conteúdo. Gostaria, de verdade, que os criadores de conteúdo fossem mais claros e honestos. Mas tem aquela frase “O problema do esperto é achar que todo mundo é bobo”…Mas a internet já mostrou que tudo é muito perecível… esse jogo vai mudar, vamos assistir!!

  14. Júlia, sinto sua falta, gosto muito dos seus vídeos no YouTube, me sinto “seu amigo”, porém, entendo perfeitamente seu posicionamento e “sumiço”… A coisa anda estranha, né? Tbm faço algumas coisas no YouTube relacionado ao meu trabalho, sou designer de bolsas, meu canal é meio DIY… Faço vídeos prq acho interessante e na minha área as pessoas são bem carentes nesse assunto! Uma vez vc falou que o fazer vídeos para o YouTube faz com que a pessoa se olhe e realmente isso é verdade, fazer vídeos tem me ajudado muito na minha e na alto estima de quem me assiste! Recebo comentários muito interessantes e carinhosos… É uma pena que nem todo mundo entende que nem sempre estamos dispostos a falar algo relevante e com conteúdo, acho difícil criar conteúdo toda semana… Enfim, acho que fugi um pouco do teu assunto aqui, mas só queria que soubesse que gosto muito de tudo e todos aí do Petiscos! Bjs Feliz Aniversário e parabéns por todas as conquistas e principalmente parabéns pela sinceridade com seu público, algo difícil de se ver hj em dia, me inspiro MUITO em ti! <3

  15. O esgotamento é nítido, e a forma como a publicidade é feita na internet sempre foi caótica e abusiva. No começo da internet, nada mais irritante como os banners flutuantes e os intermináveis pop-ups, lembra? Até o Internet Explorer começar a vir com bloqueador nativo. Então criaram-se outras formas, até o Ad-Block e genéricos aparecerem como extensões salva-pátria dos navegadores. Agora existem os conteúdos q essas extensões não bloqueiam, pop-ups em outras linguagens de programação que disparam as caixas de anúncio, ou “sinaleiros” que impedem sua visita até as extensões serem desligadas. Enfim, qnt mais se criam ferramentas para impedir, mais se criam ferramentas para combatê-las.
    Não sou contra anúncios, mas sou contra o abuso e a intrusão, a checagem sistemática de cookies para relacionar determinado conteúdo a usuários com anúncios falsos, muitas vezes conteúdos q nem nos interessam mais, naquele esquema de “quatro meses atrás comprei um aspirador de pó e até hoje vejo anúncios disso”, por exemplo. Sem falar do tráfico e contrabando de informações, de websites e lojas (virtuais ou não) q exigem seu cadastro e depois vendem os banco de dados a outros webites e lojas, e aí começa a enxurrada de e-mails indesejáveis, ligações de telemarketing, e agora, a moda dos SMS’s anônimos. Como vcs aí do Petiscos disseram numa discussão transcrita q vcs publicaram (q acho q deveria ter sido publicado em vídeo), não existe mais público alvo na internet. Na internet as coisas se inverteram, são os consumidores que buscam seus alvos e conteúdos, e então essa disputa gladiadora de qual anúncio consegue chamar mais a atenção de qualquer um. A publicidade é válida e funciona qnd inserida em um conteúdo consumido por determinado público. É onde empresas e marcas respeitáveis (ou q pretendem se tornar respeitáveis) devem se manter, e não na divulgação aleatória e algorítmica, q leva a nada e a um retorno muito baixo, correndo o risco de serem assimiladas a conteúdos de baixa qualidade (como aconteceu com o YouTube nesses meses). Tmb não acho errado o uso de “influenciadores” ou Youtubers nesse processo, desde que o conteúdo seja relacionado, e desde que a sinalização de publicidade exista. Acho importante e interessante quando marcas acreditam que seus produtos se enquadram no perfil daquela pessoa e do público que consome seu conteúdo, é gratificante para aquele indivíduo q cria conteúdo independente, mas sou contra essa promiscuidade publicitária, de pessoas q divulgam conteúdo sem sinalizar, e que divulgam qlq conteúdo por qlq benefício (por centavos a mais, por produtos de graça na porta de casa todo mês, por acesso a eventos, etc), é aí onde a marca e o indivíduo perdem sua credibilidade.
    Qnd terminei o Ensino Medio fui cursar P&P, um ano depois abandonei por achar o sistema cruel e explorador, embora ainda ache interessante e me gere um certo fascínio. Imagino vc, que demonstra ser apaixonada, ter que lidar com todas essas mudanças e adequar suas filosofias e éticas profissionais e pessoais em tudo isso. A gente q está fora e atento já pira, posso fazer uma idéia de como deve ser para quem está dentro.
    Acho q em determinadas situações tem q se desligar mesmo, e pensar no conteúdo independente por prazer e para quem tem prazer em consumi-lo.

  16. Bela Reis

    Pois é, faz todo o sentido, a reflexão.
    Ninguém merece a publicidade de internet como vem sendo feita.
    Ju, e qual seria a possível solução?
    Se o modelo com clientes já não é suficiente e os anúncios vão contra sua filosofia, como você acha que deve proceder quanto ao Petiscos?

    • O jeito é abrir mais fontes de faturamento com outros serviços que a gente pode oferecer para clientes. Ao mesmo tempo tenho conversado muito com o mercado publicitário tentando expor esses problemas de formatos de publicidade. Vamos ver no que dá. 😉
      Bjsss!!

  17. Marina Doitschinoff

    Julia, concordo plenamente, e mesmo que não concordasse, ficaria feliz de ler esse texto da mesma maneira. Sinto que não só a informação é rasa, os títulos são sensacionalistas, mas também os sites e veículos têm medo de opinar. Parece que ter opinião virou criticar e ser do contra. Vejo muitos comentários, inclusive aqui no Petiscos, de pessoas que não concordam com a opinião do autor sobre o assunto do texto e por isso partem para o “que texto desnecessário”, “nossa, mas como adora criticar”. A internet está tirando a nossa capacidade de entender o olhar do outro, e entender que conteúdo bom não necessariamente é aquele que transmite as mesmas opiniões que as suas. Hoje em dia, além de jornais (e olhe lá), consigo ler poucos blogs e portais, vejo muito o Petiscos e o Man Repeller porque ambos possuem diversos colunistas que se preocupam em produzir um bom conteúdo e não têm medo de expressar suas opiniões. Eu fico feliz que vocês ainda conseguem manter seus princípios! Obrigada por isso.
    Ah, e parabéns atrasado Julia! Fica bem 🙂

  18. Como uma pequena produtora de conteúdo, acabei abandonando um pouco meu trabalho como blogueira pelos mesmos motivos.
    Minha visibilidade era reduzida, mas quando surgia algum comentário, era a coisa mais fofa e me lembrava da importância de produzir um conteúdo “mais limpo”.
    Mas brochei também, e nem sei mais em que direção ir nas internê quando tudo o que vejo é publicidade as vezes nem sinalizada.
    Um abraço
    [ps: vim do Twitter]

  19. Rosi Santos

    Tenho a impressão (nunca pesquisei, opino pelo que acompanho) que o efeito jabá tomou uma proporção maior no mercado nacional. Mtos influencers gringos que sigo usam seus canais para divulgar serviços próprios ao invés de aparecerem bjando produtos patrocinadores em posts nas redes sociais.
    Será que nossa publicidade é mais preguiçosa? Um influencer vende e de repente todo mundo quer utilizar a mesma fórmula?

    • O brasileiro socializa muito mais nas redes que a maioria dos países e o mercado de influenciadores aqui é enorme e talvez anterior ao gringo. E sim, a publicidade está bem preguiçosa. 😉
      Bjsss!!!

  20. João Paulo Viana

    É engraçado, mas sinto que só você e a Liliane Ferrari me entendem em relação a publicidade e a mídia atual… Eu tenho varios modelos de negócios e ideias que tentam viabilizar esse mercado da melhor forma e adoraria por em prática… Seria meu sonho ter vocês duas como mentoras dessa empreitada?
    Tenho uma fé muito grande de que a mídia será melhor e mais límpida!
    Bem é isso, seu texto reafirmou meu pensamento sobre o mercado atual, e mesmo que digam que “somos oq conseguimos ser” eu completo essa frase, passando a ficar como “somos oq conseguimos ser, e pela minha fé eu serei oq acredito!”
    Att. João Paulo Viana
    Twitter: @jpjpviana

  21. Renata V.

    Júlia, concordo em gênero, número e grau com o que você disse.
    Também já estou esgotada de tanta publicidade e pior, o que ela gera nas pessoas, que é a necessidade de consumo exagerado. Não aguento mais ouvir a palavra” comprar” e suas variantes.
    Sobre a produção de conteúdo porcaria: as vezes nem porcaria tem. Já cliquei em uma “notícia” com titulo chamativo e não tinha nada na página além do que já havia sido dito no título e das milhares de propagandas que surgiram na tela. E olha que era de uma página até levada a sério, imagine se não fosse.

  22. Eu espero sinceramente que nesse processo o Petiscos não deixe de existir. Antigamente eu consumia muito os blogs, gostava mesmo e passava horas. Hoje em dia sinto MUITA DIFICULDADE de achar um site/blog que eu goste e realmente curta acompanhar.
    Instagram não aguento… Acho muito fake, superficial, raso, zero interessante. E eu amo moda/ maquiagem/ cultura pop. N vejo futilidade no assunto mas nas pessoas, na maneira de abordar, no argumento, n sei bem explicar. Mas não da.
    E não tem nada a ver com recalque. Gosto de ver gente bonita, bem sucedida, estilosa, principamente mulheres, mas gosto mesmo de gente interessante.
    Ate o twitter, que me salvava ultimamente, ta difícil.
    70% das noticias das revistas de moda são sobre atualizacoes das “celebridades” nas redes sociais.
    Vi Donatella Versace dizer que a geracao millenium determina os desfiles de moda… Meu Deus, que tragédia. As vezes tenho a impressao que a internet se perde muito ao direcionar o conteudo pra os adolescentes, ja que eles sao a grande massa na internet hoje. Olha o que aconteceu com o youtube…
    Outra coisa que na minha opiniao empobrece demais e que não se busca mais produzir conteudo, uma simples foto na frente do espelho virou conteúdo e as pessoas se contentam em consumir isso. É o tal do life style… Acredito que a dificuldade que a Julia em gerar conteudo pro instagram esta aí… Ela não gosta de se expor e esta acostumada a falar de moda, discutir, debater, gerar conteúdo no sentido de informação, opinião critica, seja com leveza ou mais seriedade.
    E é justamente isso que faz tanta falta.
    Eu ja ando triste e desanimada com a vida, confesso que essas coisas me desanimam real. Pq a impressao que da é que o mundo ta cada dia mais chato e as pessoas mais rasas. (Perdoem a melancolia)
    Torço muito não só pelo Petiscos mas por todos que ainda se preocupam em manter a essência, produzir conteúdo de qualidade e respeitar o leitor em relação à publicidade.
    Gosto demais de vcs. Sinto um carinho gratuito pela Julia e to sempre por aqui. Tamo junto rssss Beijo enorme!
    Ps: vcs podiam indicar um sites ou blogs pra gente, pode ser gringo!

  23. Ju! quis comentar por que gosto muito desses artigos “existenciais” ahhahaha o público do petiscos deve ser de umas pessoas meio com cabeça de véia (tipo eu) hahaha. Digo véia no bom sentido, no sentindo de que chega uma hora que somos tão bombardeados por informação cansativa, como essas que você citou, que nos perguntamos se o problema somos nós individualmente ou algo que a humanidade se tornou, que se sustenta de aparência e ostentação.
    “Hoje em dia sinto MUITA DIFICULDADE de achar um site/blog que eu goste e realmente curta acompanhar.” disse uma de suas leitoras acima, e puxa vida, eu também! São poucos os sites que trabalham em cima de algo que não precisa necessariamente ser novo, mas que traga uma opinião verdadeira e autêntica sobre algo. Crítica. Ou se não for crítica, que tenha personalidade ou investigação.
    Eu não nego que no Instagram eu sigo tudo que é “infuenciadora”. Antes nem sentia tanto essa necessidade, mas gosto de ver os tais dos “looks do dia” e idéia para maquiagem e tal… mas ao mesmo tempo eu vejo também o quanto a maior parte das meninas que fazem parte desse mundo hoje são extremamente vazias. São poucas as que estão ali por que se aprofundam em qualquer coisa da história ou que tragam algo autêntico e de personalidade. A maioria se tornou relevante por compartilhar e ostentar uma realidade que a gente sabe que não é 100% verdade.
    O que mais me incomoda nisso tudo é a valorização de um padrão de vida que é feito em cima de aparência. Eu sei lá, eu sei que minha geração (dos anos 90) é a do floquinho de neve, mas de verdade ainda acho que menos de 10% dos meus amiguinhos de classe eram extremamente interesseiros desde pequenos ou faziam amizades por interesse. Eu sei lá, vejo hoje pela minha prima, que já nasceu nos anos 2000 e hoje tem 18 anos, e sei lá, pelo menos 70% da classe dela do terceiro colegial estava tentando “provar um ponto”. E né, até aí… normal! Todo adolescente é dificil de lidar, e quer provar um ponto. Mas hoje em dia provar algo não ficou mais por conta do estilo, da forma de falar ou do que você conquistou… Ficou mais para o que você tem, quem é sua família e o que podem tirar de proveito sendo seus amigos. Aquele clássico do: vou sacrificar meu pai, mesmo sem ter condições de fazer isso por que preciso depois contar para todo mundo que fiz ou pelo menos criar alguma polêmica em alguma rede social para gerar assunto em cima da minha vida.
    Acho que de certa forma, apesar de estar falando sobre publicidade aqui, a influência das redes sociais e das novas mídias é meio doentia na vida das pessoas. Por que se hoje as tais influenciadoras são referências, então a referência é a de quem consegue ostentar mais…
    Claro que estarmos nesse modelo de sociedade meio imbecil não é culpa das influenciadoras nem das marcas, nem do instagram ou do facebook né, mas não deixa de ser outro espelho para o que somos como uma comunidade. O pior problema do merchan/publi é que além de cansativo, é também mais um modelo que incentiva o desenvolvimento de pessoas extremamente materialistas e vazias… e isso é preocupante…
    Sei lá… só posso dizer que fico feliz de ler umas coisas legais assim de vez em quando nas internê. As vezes a gente fica pensando essas coisas sozinha em casa e me sinto mesmo um peixe fora d’agua! Estou com quase 30 anos e acho que a percepção do outro em relação a você ficou tão valorizada com o facebook, linkedin, instagram, que tem muita gente que conheço que é refém dessa aparência que criaram. E sei lá, não deveria ser mais importante você fazer o que você quer? Espero que o Petiscos continue para eu não me sentir tão peixe fora d’agua hahaha 🙂 🙂

  24. samantha r simas

    Oi Julia, entendo completamente o seu ponto de vista…
    Pra mim que não sou da área nem nada, é difícil curtir qualquer coisa, seja na internet, TV, mídia impressa, rádio, etc, só por curtir… por admirar, distrair, entreter… é sempre um excesso, forçando a barra pra vender qualquer coisa. Por exemplo eu curtia muuuito um programa de rádio, mas deixei de ouvir devido ao excesso de publicidade, e pior… publicidade disfarçada de opinião própria, de carisma … que era a melhor sacada do show.
    Muita saudade de ver você, ver as belezas que você tem pra nos mostrar..beijos.

  25. Oi Julia, entendo e respeito muito seu ponto de vista. (aliás tenho aulas de veículos digitais com você). É abusivo mesmo!
    Sentimos muito sua falta!!! Será que disponibilizar o conteúdo em video apenas no Petiscos seria uma solução neste momento?
    Talvez eu esteja sendo ingênua mas o fato que esse é mais um assunto que gostaria de ouvir (e ver) sua opinião. Você faz muita falta.
    Beijos

    • Não tenho problema em ter os vídeos no Youtube não. Apenas estava precisando de um tempo pra realinhar as idéias. 😉
      Bjsss!!

  26. Muito obtigada por responder, Mari! Vou dar uma olhada com certeza ?

  27. júlia! me contrata!?
    e mais: dê palestras, eu pagaria pra te ouvir falar em uma sobre internet apesar de já ter de graça aqui e no YouTube. 🙂

  28. Fernanda Koch

    Julia!
    Incrível tua colocação. Há algumas semanas venho pensando sobre como a internet está chata. Vídeos de influenciadoras que eu sempre gostei se tornaram tão mecânicos que não consig mais assistir até o final. É a chatissedolivro das tags, que todas elas resolvem transformar em vídeo. Pra que? Não é entretenimento, não é informação, não é nada. Gosto de aprender sobre maquiagem e por isso sempre devorei os vídeos assim que caíam no YT. Mas comecei a perceber uma ditadura do côncavo esfumado com sombra marrom do contorno marcado, postiços e sobrancelha feita com tabulação, pra ter certeza de que todas ficaram iguais. Aí num desespero de ver conteúdo interessante nesse assunto, corri pro teu canal e comecei a rever os vídeos postados. Foi como um bálsamo! Que delicia! Criatividade, originalidade, verdade, a gente vê por aqui. Super entendo teu recesso, tuas férias do YT, mas não posso deixar de dizer que cada vez mais, tu faz falta. Num mundo tão fake, teu “pois muito bem!” faz uma faaaaalta!
    No meio dessa bagunça trazia que virou tudo isso, ainda bem que temos tu. Um beijo!

  29. Quando eu comecei a seguir o petiscos o meu maior interesse era maquiagem e os assuntos de moda postados por você, Julia. Como eu aprendi com seus vídeos <3 Mas aos poucos, acho que pelo excesso de conteúdo disponível na internet sobre esses dois assuntos eu fui passando a gostar mais de outras áreas do blog. Como a Quatro Olhos, a parte de música e os colunistas.(Ps: o Antonio Fabiano provavelmente tem alguns dos meus textos favoritos da vida.) Aquela post com links da semana também achei demais.
    Pessoalmente eu também ando sofrendo muito com essas questões de mídia e publicidade. Eu como usuária não aguento mais o facebook. O insta cada vez mais perde sentido desde que eles estão selecionando certos conteúdos e priorizando posts pagos. O problema é que eu tenho uma marca com loja online de pequeno porte. E estamos bem perdidas com relação ao caminho p/ anunciar online. A newsletter por enquanto é um dos nossos melhores canais. Eu mesmo tenho amado receber informação de qualidade por email. Os influenciadores digitais também não são tão práticos assim, eu praticamente só sigo gente que produz conteúdo e são raros os casos nesse tipo de meio.
    Enfim a incerteza é tanta que esse ano nós acabamos focando muito no físico, porque até hoje não conseguimos nos acertar com um canal de publicidade online.
    Eu amo a internet, mas ultimamente tenho achado tão difícil encontrar coisas diferentes. As meninas do Contente estão fazendo umas reflexões maravilhosas sobre redes sociais e esse tipo de excesso. Acho que o caminho é a gente refletir mesmo, cada vez mais sobre que tipo de conteúdo queremos consumir e também anunciar.
    Beijo grande!

  30. Acompanho o Petiscos a muitos anos e as reflexões de vocês sempre me contribuíram muito. Me identifico bastante com seu posicionamento Julia, mas também acredito que esse momento é uma fase. Sempre tive dificuldade de produzir conteúdo para esse público que que não valoriza conteúdo e acabei migrando para a área da educação (que também não está muito diferente). Mas hoje, depois de muito refletir percebo que existe um grupo de pessoas que se cansou da falta de conteúdo ou de conteúdos rasos e está migrando em busca de qualidade. Lógico que sempre vai existir um público que prefere memes e selfies a um bom conteúdo mas talvez o alinhamento, como você mesmo se posicionou, seja produzir um conteúdo para aqueles que valorizam qualidade e autenticidade. A publicidade em geral vai perceber essa migração e vai se posicionar também, é no que acredito. Parabéns pelo Petiscos, uma pausa é sempre muito favorável para alinharmos nossa razão com nossa emoção.